No cateterismo cardíaco, um cateter fino entra por uma artéria do punho ou da virilha e sobe até o coração. Ali, o contraste é injetado e as artérias coronárias aparecem na tela em tempo real, com suas obstruções visíveis. Serve para diagnosticar entupimentos, avaliar válvulas e medir pressões internas. Leva de 30 a 60 minutos, usa apenas anestesia local com sedação leve, e o paciente fica acordado o tempo todo.
O que o exame responde
Ele responde a uma pergunta que nenhum outro método responde com a mesma precisão: as coronárias estão obstruídas, onde, e quanto. E tem uma característica que o diferencia de qualquer exame apenas diagnóstico: quando encontra a obstrução, pode tratá-la ali mesmo.
As indicações mais comuns:
- Infarto agudo do miocárdio, em caráter de urgência
- Angina instável ou dor no peito que não cede com tratamento clínico
- Teste ergométrico ou cintilografia sugerindo isquemia
- Avaliação antes de uma cirurgia cardíaca
- Investigação de doença de válvula e de miocardiopatias
- Medida de pressões nas câmaras do coração e na artéria pulmonar
Como acontece na prática
O paciente vai para a sala de hemodinâmica, equipada com aparelho de raios-X de alta definição. A equipe tem cardiologista intervencionista, enfermagem especializada e técnicos.
O acesso. A punção é feita na artéria radial, no punho, ou na femoral, na virilha. O punho virou a primeira escolha na maioria dos casos porque sangra menos e permite que a pessoa levante mais cedo.
A anestesia. Só local, no ponto da punção, geralmente com uma sedação leve. Você permanece consciente e conversando com a equipe.
O cateter e o contraste. O cateter percorre a artéria até chegar à origem das coronárias. O contraste é injetado e as imagens são gravadas em vários ângulos. Nesse momento é normal sentir um calor que se espalha pelo corpo. Passa em segundos e é esperado.
A duração. De 30 a 60 minutos no exame diagnóstico. Se for preciso fazer angioplastia no mesmo tempo, estende-se.
Dói?
Praticamente não. O que se sente é a picada da anestesia local, e depois o calor do contraste. O cateter deslizando dentro das artérias não provoca dor, porque os vasos não têm terminações nervosas para esse tipo de estímulo. A queixa mais frequente é o incômodo de ficar deitado parado na mesa.
Os riscos, sem rodeios
Cateterismo é procedimento invasivo, e procedimento invasivo nenhum tem risco zero. Dito isso, em serviços com volume adequado a taxa de complicação grave é baixa.
- Frequentes e leves: hematoma no local da punção, dor local, calor durante o contraste
- Menos comuns: alergia ao contraste, arritmia passageira, alteração temporária da função renal
- Raras: sangramento importante, lesão da artéria, infarto, AVC
Quem tem insuficiência renal, diabetes de longa data, alergia prévia a contraste ou usa anticoagulante precisa de preparo específico. Informar toda a medicação em uso não é formalidade, é segurança.
Preparo
- Jejum conforme a orientação da equipe, normalmente de 6 a 8 horas
- Levar exames anteriores, principalmente função renal e eletrocardiograma
- Avisar sobre alergias, com atenção especial a contraste iodado
- Informar uso de anticoagulantes, antiagregantes, metformina e qualquer outro remédio
- Ir acompanhado, porque não se dirige na saída
- Nunca suspender medicação por conta própria
Depois do procedimento
O local da punção recebe compressão para evitar sangramento. No acesso pelo punho usa-se uma pulseira compressiva por algumas horas e a pessoa costuma andar logo. Pela virilha, o repouso deitado é mais longo.
Quando o exame foi só diagnóstico, a alta sai no mesmo dia ou no dia seguinte. Nas primeiras 24 horas, beba bastante água para ajudar o rim a eliminar o contraste. Evite esforço e peso por alguns dias, e não use o braço ou a perna puncionada para carregar nada.
Procure atendimento se houver sangramento que não para, hematoma que cresce, dor forte, palidez ou frieza na extremidade, ou febre.
E se encontrarem obstrução?
Três caminhos, decididos conforme a anatomia e o quadro clínico:
- Remédio, quando as obstruções não são graves o suficiente para justificar intervenção
- Angioplastia com stent, muitas vezes feita ali mesmo, na sequência
- Cirurgia de revascularização, quando há várias obstruções ou artérias principais comprometidas
Essa conversa costuma envolver o cardiologista clínico, o intervencionista e o cirurgião cardíaco. É mais uma razão para fazer o procedimento onde as três equipes trabalham juntas.
Cateterismo em Fortaleza
O Hospital Prontocardio conta com serviço de cardiologia intervencionista e hemodinâmica em Fortaleza, com equipe de cirurgia cardíaca e terapia intensiva na mesma estrutura.
Perguntas frequentes
Fico internado quantos dias?
Exame diagnóstico costuma liberar alta no mesmo dia ou em 24 horas. Com angioplastia, a permanência é um pouco maior.
Posso fazer com insuficiência renal?
Pode, com preparo específico, hidratação reforçada e uso da menor quantidade possível de contraste. A equipe precisa saber disso antes, não no dia.
Qual a diferença entre cateterismo e angioplastia?
O cateterismo enxerga. A angioplastia trata, com balão e stent. Com frequência acontecem na mesma sessão.
Em quanto tempo volto ao trabalho?
Depois de um exame diagnóstico sem intercorrência, poucos dias, variando conforme o tipo de atividade e a liberação do cardiologista.
Preciso repetir o cateterismo com que frequência?
Não existe repetição de rotina. Ele é refeito quando surgem sintomas novos ou quando algum exame aponta necessidade de reavaliar.
Leia também
- Angioplastia e stent: quando são indicados e o que muda depois
- Emergência cardiológica 24h: os sinais que não dão para esperar
- Cirurgia cardíaca: ponte de safena, válvulas e o caminho da recuperação
Conteúdo informativo produzido pelo Hospital Prontocardio, em Fortaleza (CE). Não substitui a avaliação individual com o seu cardiologista. Em caso de dor no peito, falta de ar súbita ou desmaio, procure a emergência imediatamente.



