A cirurgia cardíaca reúne procedimentos que tratam artérias coronárias entupidas, válvulas doentes e alterações na estrutura do coração. As mais realizadas são a revascularização do miocárdio, conhecida como ponte de safena, e a troca ou o reparo de válvulas. A internação costuma ficar entre cinco e dez dias, e a recuperação completa leva de dois a três meses, com retomada progressiva das atividades.
Quando operar é a melhor escolha
A decisão entre remédio, stent e cirurgia depende do desenho das lesões, da força do coração e do perfil de cada paciente. A cirurgia costuma ganhar preferência nestas situações:
- Obstrução do tronco da coronária esquerda
- Doença em três vasos, sobretudo com função ventricular reduzida
- Diabéticos com doença coronariana extensa, onde os estudos mostram vantagem no longo prazo
- Anatomia que não favorece o implante de stent
- Doença de válvula com repercussão clínica ou disfunção do ventrículo
- Necessidade de corrigir mais de uma coisa no mesmo tempo cirúrgico
Cardiologista clínico, intervencionista e cirurgião avaliam juntos antes de indicar.
Ponte de safena, ou revascularização do miocárdio
A ideia é simples de explicar e delicada de executar: criar um caminho novo para o sangue contornar a obstrução. Os enxertos vêm do próprio paciente. A artéria mamária interna, que fica no tórax, e a veia safena, retirada da perna. A mamária tem durabilidade bem maior no longo prazo, e por isso costuma ser direcionada à artéria mais importante do coração.
A cirurgia é feita com abertura do esterno, o osso no meio do peito, geralmente com auxílio da circulação extracorpórea, a máquina que assume temporariamente o trabalho do coração e dos pulmões. Em casos selecionados, dá para operar com o coração batendo.
O tempo varia com o número de enxertos, normalmente entre três e seis horas.
Cirurgia de válvula
As válvulas podem estreitar, o que se chama estenose, ou fechar mal e permitir refluxo, o que se chama insuficiência. As mais afetadas são a aórtica e a mitral.
Plastia. É o reparo da própria válvula do paciente. Quando é tecnicamente possível, costuma ser a preferência, porque preserva a estrutura original.
Troca. Substituição por uma prótese biológica, feita de tecido animal tratado, ou mecânica, de material sintético. A mecânica dura mais, mas exige anticoagulação para o resto da vida. A biológica dispensa a anticoagulação crônica, porém tem vida útil limitada. Idade, desejo de engravidar, risco de sangramento e a preferência do paciente entram nessa conta.
Outros procedimentos
- Correção de aneurisma de aorta
- Correção de cardiopatias congênitas
- Cirurgia de arritmias, geralmente associada a outro procedimento
- Implante de dispositivos de assistência ventricular em casos avançados
O preparo antes
Exames laboratoriais, avaliação pulmonar e odontológica, ajuste das medicações e, quando necessário, suspensão programada de anticoagulantes e antiagregantes. Parar de fumar antes da cirurgia reduz de forma significativa as complicações pulmonares, e não é conselho protocolar: é uma das poucas coisas que o paciente pode fazer sozinho para melhorar o próprio resultado. Avaliação nutricional e fisioterapia respiratória prévia também ajudam.
A recuperação, etapa por etapa
Primeiras 24 a 48 horas. UTI, com monitorização contínua, drenos no tórax e suporte respiratório no início. A mobilização começa cedo, ainda lá dentro.
Do segundo ao sétimo dia. Transferência para o quarto, retirada dos drenos, fisioterapia respiratória e motora, caminhadas curtas acompanhadas, alimentação voltando aos poucos.
A alta. Em geral entre o quinto e o décimo dia, conforme o procedimento e a evolução.
As primeiras semanas em casa. Cuidado com a ferida, caminhadas leves aumentando devagar, controle da dor, nada de peso e nada de dirigir. O esterno leva de oito a doze semanas para consolidar. Nesse período, evite esforço com os braços, inclusive o de se apoiar para levantar da cama, que é o movimento que mais gente esquece.
Reabilitação cardíaca. Começa depois da liberação médica e tem efeito comprovado sobre capacidade física, qualidade de vida e taxa de reinternação.
A volta ao trabalho. Atividades administrativas costumam ser retomadas entre seis e oito semanas. Trabalho com esforço físico exige prazo maior e liberação específica.
Sinais para ligar para a equipe
- Febre que não cede
- Secreção, vermelhidão ou abertura da ferida
- Dor no peito diferente da dor cirúrgica esperada
- Falta de ar piorando
- Inchaço súbito nas pernas
- Palpitação forte ou desmaio
- Ganho rápido de peso
Cirurgia cardíaca em Fortaleza
O Hospital Prontocardio conta com serviço de cirurgia cardíaca em Fortaleza, com centro cirúrgico, terapia intensiva e as equipes de cardiologia clínica e intervencionista na mesma estrutura, o que permite avaliação conjunta e continuidade do cuidado.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura uma ponte de safena?
Enxertos de artéria mamária costumam se manter abertos por muitos anos. Os de safena têm vida útil menor. Colesterol, pressão, diabetes e cigarro influenciam diretamente essa durabilidade, o que significa que o resultado da cirurgia continua sendo construído depois dela.
A cicatriz no peito é muito grande?
A incisão pelo esterno é extensa, mas cicatriza progressivamente e tende a suavizar com o tempo. Alguns procedimentos permitem acessos menores, dependendo da indicação.
Qual a diferença para a angioplastia?
A angioplastia desobstrui a artéria por dentro, com cateter e stent. A ponte cria um desvio ao redor da obstrução, por via cirúrgica.
Dá para operar sem circulação extracorpórea?
Em casos selecionados, sim. A escolha da técnica é do cirurgião, conforme a anatomia e as condições clínicas.
Quando posso voltar a dirigir?
Normalmente entre quatro e seis semanas após cirurgia com abertura do esterno, sempre com liberação médica. O movimento do volante e o cinto de segurança exercem carga justamente sobre a região operada.
Leia também
- Angioplastia e stent: quando são indicados e o que muda depois
- Cateterismo cardíaco: como é feito, o que se sente e como é a recuperação
- Hospital cardiológico em Fortaleza: o que avaliar antes de escolher
Conteúdo informativo produzido pelo Hospital Prontocardio, em Fortaleza (CE). Não substitui a avaliação individual com o seu cardiologista. Em caso de dor no peito, falta de ar súbita ou desmaio, procure a emergência imediatamente.



