A fibrilação atrial é a arritmia sustentada mais comum e acontece quando a parte de cima do coração passa a se contrair de forma desorganizada, deixando os batimentos irregulares. Ela pode causar palpitação, cansaço e falta de ar, mas seu maior perigo é mais silencioso: o risco aumentado de AVC. Por isso, mais do que controlar o ritmo, o tratamento se preocupa em prevenir a formação de coágulos.
O que acontece no coração
Numa fibrilação atrial, os átrios, que são as duas câmaras superiores do coração, deixam de se contrair de forma coordenada e passam a tremular, num ritmo elétrico caótico. Com isso, o ritmo do coração como um todo fica irregular, muitas vezes acelerado e sem padrão, e o bombeamento perde parte da sua eficiência, porque os átrios não estão mais empurrando o sangue direito para as câmaras de baixo.
Mas o problema central não é só o desconforto da palpitação irregular. Quando os átrios apenas tremulam em vez de se contrair, o sangue pode ficar mais parado em uma região específica do coração, e sangue parado tende a formar coágulos. Se um desses coágulos se solta e viaja pela circulação até o cérebro, ele entope um vaso e causa um AVC. É esse o grande motivo de preocupação com a fibrilação atrial, mais até do que a sensação da arritmia em si.
Os sintomas
- Palpitação, com sensação de coração acelerado, descompassado ou aos pulos
- Cansaço e fraqueza sem explicação clara
- Falta de ar aos esforços ou até em repouso
- Tontura
- Desconforto ou aperto no peito
- Em alguns casos, nenhum sintoma perceptível
Esse último ponto é importante e preocupante. Há pessoas que têm fibrilação atrial sem sentir absolutamente nada, e só descobrem em um exame de rotina, ao medir o pulso, ou, infelizmente, depois de já terem tido um AVC. Nesses casos, o risco esteve presente em silêncio o tempo todo, sem que houvesse chance de agir. É mais uma razão para valorizar o check-up, a medida regular do pulso e a atenção do médico ao ritmo do coração, principalmente com o avançar da idade, quando a fibrilação atrial se torna mais comum.
Por que o AVC é a maior preocupação
A fibrilação atrial aumenta de forma significativa o risco de AVC, porque cria as condições ideais para a formação de coágulos dentro do coração. E um AVC pode deixar sequelas sérias e permanentes, afetando movimento, fala e independência. O ponto importante é que boa parte desses AVCs, nesse contexto, poderia ser evitada com o tratamento adequado, o que torna o reconhecimento e o manejo da arritmia tão relevantes.
Por isso, ao diagnosticar a fibrilação atrial, o cardiologista avalia o risco individual de AVC de cada pessoa, usando critérios que consideram idade, pressão, diabetes e outros fatores. Na maioria dos casos, indica a anticoagulação, um tratamento que reduz a capacidade do sangue de formar coágulos. Essa é uma das decisões mais importantes no manejo da doença, e muitas vezes mais decisiva para a saúde da pessoa do que o controle do ritmo em si.
Como é tratada
O tratamento costuma seguir duas frentes, que caminham juntas:
Prevenir o AVC. Com anticoagulantes, na maioria dos casos, para reduzir o risco de coágulos. Essa medicação exige acompanhamento e não deve ser interrompida por conta própria.
Controlar o coração. Aqui há duas estratégias possíveis, escolhidas conforme o caso: controlar apenas a frequência, para que o coração não bata rápido demais mesmo mantendo a irregularidade, ou tentar restaurar e manter o ritmo normal. Para isso, existem medicamentos específicos, o procedimento de cardioversão, que reorganiza o ritmo com um estímulo, e a ablação por cateter, que trata a origem da arritmia em casos selecionados. A escolha entre controlar a frequência ou buscar o ritmo normal depende da idade, dos sintomas e das características de cada pessoa.
O que pode desencadear ou piorar
- Pressão alta
- Idade mais avançada
- Doenças das válvulas do coração
- Problemas de tireoide
- Consumo excessivo de álcool
- Apneia do sono
- Obesidade
Controlar esses fatores faz parte do tratamento e ajuda a reduzir as crises.
Onde tratar em Fortaleza
O Hospital Prontocardio conta com cardiologia, eletrofisiologia e exames para o diagnóstico e acompanhamento da fibrilação atrial em Fortaleza.
Perguntas frequentes
Fibrilação atrial é perigosa?
O maior perigo é o risco aumentado de AVC, por causa da formação de coágulos. Com o tratamento adequado, principalmente a prevenção de coágulos com anticoagulação, esse risco é bastante reduzido e a pessoa vive bem.
Dá para não sentir nada e ter fibrilação atrial?
Sim. Algumas pessoas não têm sintomas e descobrem em exames de rotina. Por isso o acompanhamento é importante, sobretudo com o avançar da idade.
Por que preciso tomar anticoagulante?
Para reduzir a formação de coágulos dentro do coração que poderiam se soltar e causar AVC. É uma das partes mais importantes do tratamento da fibrilação atrial e não deve ser interrompida sem orientação médica, mesmo que a pessoa se sinta bem, pois o risco permanece.
Fibrilação atrial tem cura?
Depende do caso. Em algumas situações, a ablação e o controle dos fatores de risco reduzem muito ou eliminam as crises. Em outras, o foco é o controle contínuo e a prevenção do AVC.
O que fazer se sentir o coração descompassado?
Se for a primeira vez, se for intenso ou se vier acompanhado de falta de ar, dor no peito ou tontura importante, procure atendimento para avaliação imediata. Palpitações que se repetem, mesmo passageiras, merecem investigação com um cardiologista, que pode indicar exames como o Holter.
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Conteúdo informativo produzido pelo Hospital Prontocardio, em Fortaleza (CE). Não substitui a avaliação individual com o seu médico. Em caso de dor no peito, falta de ar súbita, desmaio ou sinais de AVC, procure a emergência imediatamente ou ligue 192.



