AVC: reconhecer rápido, agir na hora e prevenir

Médicos analisam imagens de ressonância do cérebro na investigação de AVC

O AVC, ou derrame, acontece quando o sangue deixa de chegar a uma parte do cérebro, seja por um entupimento, seja por um rompimento de vaso. Sem sangue, as células do cérebro começam a morrer rapidamente, e cada minuto conta. Os sinais clássicos são fraqueza súbita de um lado do corpo, boca torta e dificuldade para falar. Diante deles, a conduta é uma só: ligar 192 imediatamente.

Por que o tempo é decisivo

No AVC, assim como no infarto, o tempo é o fator mais importante de todos. Quando uma parte do cérebro fica sem sangue, os neurônios daquela região começam a morrer em questão de minutos, e neurônio perdido não se recupera. Quanto mais rápido o sangue voltar a circular, menor a área do cérebro afetada e menor a chance de sequelas que podem comprometer o movimento, a fala e a independência da pessoa.

Existem tratamentos capazes de reverter ou reduzir muito o dano do AVC, como medicamentos que dissolvem o coágulo e procedimentos que o removem. Mas eles só funcionam se aplicados dentro de uma janela de tempo, nas primeiras horas após o início dos sintomas. Passada essa janela, as opções diminuem e o estrago tende a se tornar permanente. É por isso que reconhecer os sinais e agir na hora faz toda a diferença entre uma recuperação boa e uma sequela para o resto da vida. No AVC, correr para o hospital não é exagero, é tratamento.

Como reconhecer um AVC

Um jeito simples de lembrar os sinais principais é observar o rosto, os braços e a fala:

  • Rosto: peça para a pessoa sorrir. Um lado do rosto fica caído, a boca entorta.
  • Braços: peça para levantar os dois braços. Um deles cai ou não sobe.
  • Fala: peça para repetir uma frase simples. A fala sai enrolada, sem sentido, ou a pessoa não consegue falar.

Se qualquer um desses sinais aparecer, é hora de ligar 192. Outros sinais possíveis incluem:

  • Perda súbita de força ou dormência em um lado do corpo
  • Perda repentina de visão ou visão dupla
  • Tontura intensa e perda de equilíbrio de início súbito
  • Dor de cabeça súbita e muito forte, diferente do habitual
  • Confusão mental repentina, com dificuldade de entender o que acontece

O que fazer diante dos sinais

  1. Ligue 192 imediatamente e descreva os sintomas com clareza para o atendente.
  2. Anote o horário exato em que os sintomas começaram, ou a última vez que a pessoa foi vista bem. Essa informação é decisiva para escolher o tratamento.
  3. Mantenha a pessoa deitada, calma e em segurança, e não ofereça comida nem bebida, pelo risco de engasgo, já que o AVC pode afetar a deglutição.
  4. Não espere para ver se melhora e não tente resolver em casa. No AVC, esperar é perder tempo precioso e neurônios que não voltam.

O horário de início dos sintomas é uma das informações mais importantes que a família pode passar à equipe médica, porque é ele que define quais tratamentos ainda estão dentro da janela de tempo. Por isso, olhar o relógio ao perceber os primeiros sinais é um gesto simples que pode mudar o desfecho.

Os dois tipos de AVC

AVC isquêmico. É o mais comum, respondendo pela maioria dos casos. Acontece quando um coágulo entope uma artéria do cérebro e interrompe a chegada de sangue àquela região. Costuma estar ligado a fatores como pressão alta, colesterol elevado, diabetes e arritmias como a fibrilação atrial, que favorecem a formação de coágulos que viajam até o cérebro.

AVC hemorrágico. Ocorre quando um vaso do cérebro se rompe e o sangue extravasa, comprimindo e danificando o tecido ao redor. A pressão alta descontrolada ao longo dos anos é uma das principais causas, por enfraquecer as paredes dos vasos.

Os dois são emergências graves e exigem atendimento imediato, mas o tratamento é diferente para cada um, e é por isso que a avaliação rápida no hospital, com exames de imagem, é tão importante: ela define qual dos dois tipos ocorreu e qual conduta seguir.

Como prevenir

A maior parte dos AVCs pode ser prevenida com o controle dos mesmos fatores que afetam o coração:

  • Controlar a pressão alta, o fator de risco mais importante
  • Manter o colesterol e o diabetes sob controle
  • Não fumar
  • Tratar arritmias como a fibrilação atrial, que favorecem a formação de coágulos
  • Praticar atividade física e manter o peso saudável
  • Reduzir o álcool
  • Fazer acompanhamento médico, principalmente com fatores de risco

Atendimento em Fortaleza

O Hospital Prontocardio conta com neurologia, incluindo neurologia intervencionista, e estrutura de emergência em Fortaleza.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre AVC e derrame?

Nenhuma. Derrame é o nome popular do AVC, o acidente vascular cerebral. São a mesma coisa.

Por que não posso esperar para ver se melhora?

Porque no AVC as células do cérebro morrem em minutos, e os tratamentos que reduzem o dano só funcionam nas primeiras horas após o início dos sintomas. Esperar para ver se melhora diminui, a cada minuto, as chances de uma boa recuperação e aumenta o risco de sequela permanente.

Por que anotar o horário dos sintomas?

Porque a decisão sobre quais tratamentos ainda são possíveis depende de quanto tempo passou desde o início. É uma informação decisiva para a equipe médica.

AVC tem a ver com o coração?

Tem, e muito. Fatores como pressão alta, colesterol elevado e arritmias como a fibrilação atrial ligam diretamente o coração ao risco de AVC, porque favorecem coágulos e o dano nos vasos. Cuidar do coração é, na prática, também cuidar do cérebro.

Dá para prevenir o AVC?

Grande parte dos casos pode ser prevenida com o controle da pressão, do colesterol, do diabetes, com o fim do cigarro e o tratamento de arritmias.

Leia também

Conteúdo informativo produzido pelo Hospital Prontocardio, em Fortaleza (CE). Não substitui a avaliação individual com o seu médico. Em caso de dor no peito, falta de ar súbita, desmaio ou sinais de AVC, procure a emergência imediatamente ou ligue 192.

Gostou do conteúdo? Compartilhe!

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Telegram
Pinterest

Últimas Postagens

Resultados de Exames

Selecione uma Opção