Insuficiência cardíaca: os sinais que aparecem antes do diagnóstico

Mulher idosa sente falta de ar ao subir escada, um dos sinais de insuficiência cardíaca, amparada pelo filho

Na insuficiência cardíaca, o coração perde a capacidade de bombear sangue na quantidade que o corpo precisa. Os primeiros sinais costumam ser falta de ar aos esforços, cansaço fora do comum, inchaço nos tornozelos e nas pernas, ganho rápido de peso por retenção de líquido e a necessidade de dormir com mais travesseiros. O diagnóstico se apoia na avaliação clínica, no ecocardiograma e na dosagem de BNP.

O que acontece dentro do peito

O coração é uma bomba. Na insuficiência cardíaca essa bomba falha, seja porque o músculo perdeu força para contrair, seja porque ficou rígido e não consegue mais se encher direito. As duas situações chegam ao mesmo lugar: sangue de menos para os órgãos e líquido acumulado atrás da bomba, nos pulmões e nas pernas.

Isso explica os sintomas. A falta de ar vem da congestão nos pulmões. O cansaço vem do sangue que não chega aos músculos. O inchaço vem do líquido retido.

Os sinais que quase todo mundo ignora

  • Falta de ar em atividades que antes eram tranquilas, como um lance de escada
  • Cansaço que não passa e não combina com o esforço feito
  • Tornozelos e pernas inchando, principalmente no fim do dia
  • Dois ou três quilos a mais em poucos dias, sem mudança na alimentação
  • Precisar de mais travesseiros ou levantar a cabeceira para conseguir dormir
  • Acordar no meio da noite com falta de ar
  • Tosse seca que insiste, sobretudo deitado
  • Barriga mais volumosa
  • Falta de apetite e sensação de estufamento
  • Levantar mais vezes à noite para urinar

O erro clássico é atribuir tudo isso à idade ou à falta de condicionamento. Quando os sinais aparecem de forma progressiva ao longo de semanas ou meses, a conversa com o cardiologista não deveria ser adiada.

De onde vem

  • Doença coronariana e infarto prévio, a causa mais frequente, porque uma parte do músculo deixou de funcionar
  • Pressão alta de longa data e mal controlada
  • Doença de válvulas, como estenose aórtica e insuficiência mitral
  • Miocardiopatias, incluindo a doença de Chagas, que segue relevante no Brasil
  • Arritmia crônica, especialmente fibrilação atrial com frequência elevada
  • Diabetes, obesidade e apneia do sono
  • Álcool em excesso e toxicidade de alguns quimioterápicos

Como o diagnóstico é feito

Avaliação clínica. História detalhada e exame físico com ausculta, avaliação das jugulares, do edema e do peso.

Ecocardiograma. O exame central. Mede a fração de ejeção, que é o percentual de sangue ejetado a cada batimento, e aponta a causa estrutural.

BNP ou NT-proBNP. Peptídeos que o coração libera quando está sobrecarregado. Ajudam a confirmar ou afastar o diagnóstico em quem chega com falta de ar de origem incerta.

Eletrocardiograma, raio-X de tórax e exames de sangue completam o quadro, incluindo função renal, eletrólitos, tireoide e hemograma.

Para definir a causa, pode ser necessário cateterismo, angiotomografia ou ressonância cardíaca.

Como se mede a gravidade no dia a dia

A classificação da New York Heart Association descreve o impacto na vida real:

  • Classe I: nenhuma limitação para as atividades habituais
  • Classe II: limitação leve, sintomas em esforço moderado
  • Classe III: limitação importante, sintomas em pequenos esforços
  • Classe IV: sintomas em repouso

Ela é reavaliada a cada consulta e orienta as mudanças de conduta.

O tratamento mudou muito

Nas últimas duas décadas, o tratamento da insuficiência cardíaca deixou de ser apenas alívio de sintoma. As terapias atuais mudam a evolução da doença.

Medicamentos. A combinação de classes que atuam no sistema neuro-hormonal reduz internação e mortalidade. Diuréticos controlam a congestão e o inchaço. As doses sobem aos poucos, com acompanhamento próximo.

Tratar a causa. Revascularização quando há doença coronariana, correção de válvula quando indicada, controle rigoroso de pressão e diabetes.

Dispositivos. Ressincronizador em pacientes selecionados e cardiodesfibrilador quando o risco de arritmia ventricular grave é alto.

Reabilitação cardíaca. Exercício supervisionado melhora capacidade física, qualidade de vida e reduz reinternação.

O autocuidado. Menos sal, controle de líquidos quando orientado, vacinação em dia e adesão rigorosa à medicação.

Um hábito simples merece destaque: pesar-se todo dia, no mesmo horário, com a mesma roupa. Dois quilos a mais em três dias significam líquido acumulando, e isso costuma acontecer antes de a falta de ar aparecer. Avisar o cardiologista nesse momento evita internação.

Quando procurar atendimento sem esperar a consulta

  • Falta de ar em repouso ou piora súbita
  • Ganho rápido de peso com inchaço aumentando
  • Precisar dormir sentado
  • Palpitação intensa ou desmaio
  • Dor no peito
  • Confusão mental ou sonolência fora do normal

Acompanhamento em Fortaleza

O Hospital Prontocardio acompanha pacientes com insuficiência cardíaca em Fortaleza, com exames diagnósticos, terapia intensiva, eletrofisiologia e cirurgia cardíaca na mesma estrutura.

Perguntas frequentes

Tem cura?

Na maioria dos casos é uma condição crônica, mas controlável. Quando a causa é reversível, como uma válvula corrigida ou uma arritmia tratada, a função pode se recuperar bastante.

Qual a expectativa de vida?

Depende da causa, do estágio, da resposta ao tratamento e da adesão. Tratamento otimizado e acompanhamento regular melhoram muito o prognóstico, e isso vale repetir para quem recebeu o diagnóstico e saiu do consultório assustado.

Pode fazer exercício?

Pode e deve. O exercício supervisionado faz parte do tratamento, com prescrição individualizada.

Preciso restringir líquidos?

Nem todo mundo precisa. A restrição é decidida caso a caso, geralmente em quem tem congestão difícil de controlar.

Fração de ejeção baixa significa gravidade?

É um marcador importante, mas não o único. Existem pacientes com fração preservada e sintomas significativos, e outros com fração reduzida muito bem compensados.

Leia também

Conteúdo informativo produzido pelo Hospital Prontocardio, em Fortaleza (CE). Não substitui a avaliação individual com o seu cardiologista. Em caso de dor no peito, falta de ar súbita ou desmaio, procure a emergência imediatamente.

Gostou do conteúdo? Compartilhe!

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Telegram
Pinterest

Últimas Postagens

Resultados de Exames

Selecione uma Opção