Arritmia é qualquer alteração no ritmo ou na frequência dos batimentos. O coração pode acelerar, desacelerar ou perder a regularidade. Os sintomas mais comuns são palpitação, sensação de falha no peito, tontura, falta de ar, cansaço e desmaio. O diagnóstico se apoia no eletrocardiograma e no Holter de 24 horas, e o tratamento vai de medicação a ablação por cateter e implante de marcapasso, conforme o tipo.
O sistema elétrico do coração
O coração tem eletricidade própria. O impulso nasce no nó sinusal, no átrio direito, atravessa os átrios, passa pelo nó atrioventricular e se espalha pelos ventrículos, coordenando cada contração. Quando esse circuito falha, seja na geração do impulso, seja na condução, aparece a arritmia.
Vale dizer que nem toda irregularidade é doença. Extrassístoles isoladas ocorrem em gente saudável, e a frequência cardíaca varia normalmente com a respiração, o esforço, a febre, o café e um susto. O que precisa de investigação é a arritmia que dá sintoma, que persiste ou que aparece em quem já tem doença cardíaca estrutural.
Sintomas que merecem consulta
- Palpitação, com o coração disparado ou acelerado
- Sensação de falha, pausa ou tranco no peito
- Tontura ou aquela sensação de que vai desmaiar
- Desmaio, sobretudo se acontecer durante exercício
- Falta de ar sem proporção com o esforço feito
- Cansaço persistente sem explicação
- Desconforto no peito junto com a palpitação
Desmaio durante esforço físico é o sintoma mais urgente da lista. Pode indicar arritmia potencialmente grave e não deve esperar consulta de rotina.
Os principais tipos
Fibrilação atrial
A arritmia sustentada mais comum. Os átrios passam a se contrair de forma desorganizada, o pulso fica irregular e o sangue pode estagnar dentro do átrio esquerdo, formando coágulos. Está aí o maior perigo: um desses coágulos pode migrar para o cérebro e causar AVC. O tratamento combina controle da frequência ou do ritmo com anticoagulação na maior parte dos casos.
Taquicardias supraventriculares
Crises de aceleração súbita, com começo e fim abruptos, frequentes em pessoas jovens e sem doença estrutural. Muitas têm cura definitiva com ablação por cateter, o que faz diferença enorme na vida de quem convive com elas há anos.
Arritmias ventriculares
Nascem nos ventrículos. Vão desde extrassístoles isoladas, quase sempre benignas, até taquicardia e fibrilação ventricular, que são emergências e estão entre as causas de morte súbita.
Bradiarritmias e bloqueios
Aqui o coração bate devagar demais, por falha do nó sinusal ou por bloqueio na condução. Causam cansaço, tontura e desmaio. Quando dão sintoma, a solução costuma ser o marcapasso.
Como se fecha o diagnóstico
Eletrocardiograma. Primeiro exame, sempre. Registra o ritmo daquele instante, o que explica por que pode vir normal em quem tem arritmia intermitente.
Holter de 24 horas. Monitorização contínua durante a rotina. É o exame que mais frequentemente amarra sintoma e alteração de ritmo, especialmente quando o paciente anota os horários das queixas no diário.
Teste ergométrico. Mostra arritmias que só aparecem no esforço.
Ecocardiograma. Procura doença estrutural associada, como problema de válvula ou perda de força de bombeamento.
Estudo eletrofisiológico. Cateteres com eletrodos mapeiam o sistema elétrico por dentro e localizam o circuito responsável. É diagnóstico e, com frequência, tratamento na mesma sessão.
Os tratamentos
Medicação. Antiarrítmicos, betabloqueadores e anticoagulantes, conforme o tipo de arritmia e o risco de embolia.
Ablação por cateter. Um cateter aplica energia sobre o foco ou o circuito que gera a arritmia e o elimina. Em várias taquicardias supraventriculares, a chance de cura definitiva é alta.
Cardioversão. Choque sincronizado, sob sedação, para restaurar o ritmo normal.
Marcapasso. Dispositivo implantado que estimula o coração quando o ritmo está lento demais.
Cardiodesfibrilador implantável. Para pacientes com risco elevado de arritmia ventricular grave e morte súbita.
O que desencadeia ou piora
- Pressão alta sem controle
- Doença coronariana e infarto prévio
- Insuficiência cardíaca
- Problemas de tireoide, principalmente hipertireoidismo
- Apneia obstrutiva do sono
- Álcool em excesso e cafeína demais
- Potássio e magnésio fora da faixa
- Estresse e noites mal dormidas de forma crônica
- Estimulantes e alguns medicamentos
Quando procurar um arritmologista
O arritmologista, também chamado de eletrofisiologista, é o cardiologista dedicado ao ritmo. A consulta com ele faz sentido quando existe arritmia documentada, quando os sintomas se repetem sem diagnóstico fechado, diante de desmaio sem causa definida, quando há morte súbita na família, ou quando surge a indicação de ablação, marcapasso ou desfibrilador.
Tratamento de arritmias em Fortaleza
O Hospital Prontocardio conta com serviço de eletrofisiologia e marcapasso em Fortaleza, além de Holter, MAPA e ecocardiograma nas unidades de medicina diagnóstica.
Perguntas frequentes
Palpitação sempre é arritmia?
Não. Ansiedade, café, febre, anemia e alteração de tireoide provocam palpitação sem nenhuma arritmia por trás. Separar uma coisa da outra exige registrar o ritmo durante o sintoma.
Arritmia tem cura?
Algumas sim, principalmente as taquicardias supraventriculares tratadas com ablação. Outras são controladas de forma crônica, com medicação ou dispositivo.
Quem tem arritmia pode se exercitar?
Na maioria dos casos sim, com avaliação prévia e liberação individualizada. A restrição depende do tipo de arritmia e da presença de doença estrutural.
Fibrilação atrial é perigosa?
O risco principal é o AVC. Com anticoagulação adequada e controle do ritmo ou da frequência, esse risco cai bastante.
Marcapasso limita a vida?
Não. A maioria das pessoas retoma a rotina inteira. Existem apenas orientações pontuais sobre alguns equipamentos e a necessidade de revisões periódicas do dispositivo.
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Conteúdo informativo produzido pelo Hospital Prontocardio, em Fortaleza (CE). Não substitui a avaliação individual com o seu cardiologista. Em caso de dor no peito, falta de ar súbita ou desmaio, procure a emergência imediatamente.



